segunda-feira, 5 de julho de 2010

Reflexão Temática 2




Na temática 2 abordava-se o tema da Investigação Acção

O Fórum de Turma era livre e não tive ocasião de participar.

No entanto interessei-me pelo conceito pois desconhecia-o completamente. Reservei para mais tarde as leituras recomendadas e as participações dos estimados colegas em Fórum.

Destas minhas leituras posteriores retive algumas mensagens:

A investigação - acção almeja dotar os professores de informação sobre as suas práticas e dar-lhes uma atitude pro-activa nos seus contextos locais de ensino.

Mills (2003, citado em Donato, 2003) dá-nos a seguinte definição: a investigação-acção é todo o inquérito sistemático conduzido por professores investigadores para recolher a informação sobre as práticas na sua escola, como se ensina e como os melhores alunos aprendem.

A informação é recolhida com os objectivos de verificação das práticas, da reflexão sobre as mesmas, a fim de efectuar mudanças positivas no ambiente da escola e das práticas educativas gerais, para a melhoria dos resultados escolares.

A investigação - acção é conduzida por professores e para professores. É feita em pequena escala, com cobertura contextualizada, localizada, e visando desenvolver ou monitorizar mudanças na prática (Wallace, 2000, citado em Donato, 2003).

As características da investigação - acção reflectem também as qualidades dos líderes e das culturas em mudança. Estas qualidades incluem uma compreensão profunda da organização, da sua visão e análise, da vontade para novos conhecimentos, do desejo para a melhoria nos desempenhos, da actividade auto-reflexiva e da vontade de mudança (Fullan, 2000a, 2000b, citado em Donato).

Uma estrutura para a Investigação - acção:

Um projecto de investigação - acção procura criar conhecimento, propor e executar a mudança, e melhorar a prática e o desempenho (Longarina, (1996), Kemmis e McTaggert (1988), citados em Donato (2003).

Estes autores propõem que os aspectos fundamentais da investigação – acção respeitem os seguinte passos:

(1) desenvolver um projecto de melhoria;

(2) executar o projecto;

(3) observar e documentar os efeitos do projecto;

(4) reflectir sobre os efeitos do projecto para o refazer, se necessário.

A investigação - acção é normalmente utilizada em projectos de inovação ou na sua implementação.

Mills (2003), citado em Donato (2003) apresenta o seguinte esquema para a investigação - acção:

  1. • Descrever o problema e a área de focagem;
  2. • Definir os factores envolvidos no contexto da intervenção;
  3. • Formular questões a investigar;
  4. • Descrever a intervenção ou a inovação a serem executadas;
  5. • Definir um espaço temporal para execução da acção;
  6. • Caracterizar o contexto situacional, ou o grupo da investigação – acção;
  7. • Identificar uma lista de recursos para executar o projecto;
  8. • Seleccionar os dados a serem recolhidos;
  9. • Elaborar um plano do levantamento de dados e métodos de tratamento;
  10. • Seleccionar ferramentas apropriadas de inquérito;
  11. • Identificar os participantes e o modo como entram no estudo;
  12. • Discutir a condução da acção;
  13. • Recolher dados;
  14. Planear as acções estratégicas baseadas nos dados recolhidos.

___________________

Donato, R. (2003). A Investigação – acção. EDO-Fl-03-08.Universidade de Pittsburgh. Em http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/mod/resource/view.php?id=219466 (acedido em 5-4-2010)

Sobre a dissertação “Setúbal, as TIC e o Ensino do Inglês” no que respeita à utilização do questionário

Na unidade 1 foi-nos proposto a análise da dissertação acima referida. Alguns comentários a propos:


A autora apresenta com clareza os seus objectivos de investigação: identificar 'as atitudes dos professores de Inglês das escolas secundárias e secundárias com 3º ciclo do distrito de Setúbal em relação à utilização das TIC no ensino/aprendizagem da língua inglesa', compreender os factores determinantes da adesão ou resistência àquela utilização e estabelecer uma relação entre aquelas atitudes e a formação inicial e contínua da mesma população (p.6).

A investigadora explicita o método de investigação que utilizou, e as consequentes técnicas empregues: 'optou-se por uma abordagem metodológica mista, onde o aspecto qualitativo assenta, em primeiro lugar, numa recolha quantitativa de dados' (p.70).

Sobre o questionário diz-nos que 'era constituído por 126 questões de resposta fechada, divididas por quatro grandes secções' (p.72), às quais acrescenta 14 variáveis. Realça que o questionário é aplicado para verificação de hipóteses formuladas a priori.

Formaliza o pedido de colaboração das escolas e dos professores(p.73).

Uma vez que a população de referência são os professores de Inglês do 3º ciclo e/ou secundário, a amostra para a técnica quantitativa é constituída pela totalidade dos professores de Inglês, de todas as escolas daqueles níveis, do distrito de Setúbal

No que respeita às técnicas qualitativas – a entrevista e a observação de aulas -, foram aplicadas a 4 professoras e 20 alunos(p.201).

A definição das amostras (inquérito e entrevista), é feita pelo método de conveniência: os professores do distrito de Setúbal são escolhidos porque a investigadora conhece bem o contexto.

Não temos informação sobre se ouve uma validação prévia do questionário.

Dedica todo o capítulo IV ao tratamento dos dados. Os dados foram sujeitos a tratamento estatístico e estabelecidas relações entre as respostas obtidas nas diferentes questões

Apresenta uma visualização gráfica do tratamento de dados, apresentadando as leitura e as interpretações.

Trabalho de Grupo: O Guião de Investigação



Este foi o trabalho que o meu grupo elaborou sobre uma hipótese de guião de investigação:


INVESTIGAÇÃO EDUCACIONAL

Guião de Investigação

Docente: Professora Alda Pereira
Trabalho realizado por:
Ilda Bicacro
Felícia Figueiredo
Julieta Cordas
Manuela Pereira

Março de 2010

Índice

1.Introdução. 1
2. Guião de Investigação. 2
3. Reflexão final 3
4.Referências Bibliográficas. 4

1.Introdução

Toda a investigação procura a construção de conhecimento que, face ao anterior, se defina como válido e transformador da realidade, ainda que estas características não perdurem ao longo do tempo. Depois de identificado o problema, revista a literatura, reconhecida a praticabilidade da investigação apresenta-se uma proposta de guião da investigação.
A história da investigação encontra-se repleta de esforços para combinar, numa única investigação, diferentes métodos de recolha e análise de informação. Numa proposta de investigação os métodos devem ser clarificados. Quem são os participantes? Que dados vão ser recolhidos? Que instrumentos vão ser usados? Que equipamento vai ser utilizado?
Não obstante o desenvolvimento da investigação educacional, da preferência de uns investigadores pelo método quantitativo e de outros pelo método qualitativo, reconhecem-se vantagens e limitações em cada um deles. A metodologia da investigação qualitativa é forçosamente diferente da utilizada na investigação quantitativa. No entanto, qualquer que seja o paradigma escolhido há passos metodológicos a respeitar quando se parte para uma investigação. Os estudos qualitativos baseiam-se, frequentemente, em análises indutivas, dados categorizados, comparação baseada em padrão. Os estudos quantitativos usam procedimentos de análise de dados estatísticos.
Um plano de trabalho exige uma organização articulada, flexível e em parte provisória, do trabalho pessoal em função dos objectivos e das hipóteses para a resolução dos problemas que se pretendem estudar (Dias, M. 1999). No âmbito da 1ª actividade proposta na unidade curricular Investigação Educacional apresentam-se neste documento:
o Uma introdução;
o Um possível guião para um trabalho de investigação;
o Uma Reflexão Final.
Importa referir-se que nunca se deve colocar demasiada confiança num único estudo de investigação. Em ciência, as verdades são provisórias, as conclusões devem ser aceites pela comunidade científica e estarem sempre dispostas a serem postas em causa.


2. Guião de Investigação

GUIÃO DE INVESTIGAÇÃO
1º Passo - Problema de Investigação
Que problema vai ser objecto da investigação? Todo o trabalho está condicionado pelo campo específico onde se vai intervir.
2º Passo – Revisão da literatura
Os problemas que vão ser investigados já foram investigados por outros? Que conclusões se tiraram? Não deve haver sobreposição de investigação.
3º Passo – Paradigma escolhido (Quantitativo, Qualitativo ou Misto) e Método a seguir
Propõe-se uma investigação baseada no paradigma qualitativo ou misto, de método indutivo analítico e comparativo.
4º Passo – Objectivos da Investigação
Para que serve esta investigação? Qual a tese que se desenvolve?
5º Passo – Recolha de dados (qualitativos/quantitativos)
Depois das respostas às questões anteriores, sabendo qual a problemática que se vai trabalhar, a percepção que se tem do caminho a percorrer, identificam-se os dados: Entrevistas? Questionários? Outros? Quais?
6º Passo – Tratamento, Interpretação de dados e Conclusões
O tratamento de dados depende da qualidade dos mesmos.
7º Passo – Elaboração do documento escrito
Esta fase consiste na elaboração e revisão do texto final e apresentação das conclusões.
8. Preparação e impressão, correcção e reimpressão
9º Passo – Apresentação final do Trabalho
Normalmente à instituição que presidiu ao trabalho de investigação.

3. Reflexão final
É através da pesquisa e das conclusões do trabalho de investigação que o saber evolui e o pensamento crítico se desenvolve. No âmbito da educação reconhecem-se os seus contributos nomeadamente na melhoria do ensino e da aprendizagem e no crescimento do ponto de vista pessoal e profissional dos envolvidos.
Constituem requisitos de um investigador ser curioso, atento ao mundo que o rodeia e inconformado sobre os problemas sociais. Alguns estudos mostram que os investigadores são criativos e têm uma faceta estética apurada. A responsabilidade profissional deve permitir garantir que os trabalhos de investigação sejam relevantes para a sociedade e procurem não duplicar os já realizados por outros.
Os resultados dos trabalhos de investigação devem ser divulgados e explorados, de modo a garantir que a investigação seja frutuosa e levada ao conhecimento da sociedade em geral, como forma de aumentar o conhecimento científico e valorizar a investigação. É por isso necessária a definição e utilização de um método de estudo e seguir uma metodologia de trabalho que possa ser comparável pelos vários investigadores, de forma a cruzar dados melhorar o trabalho e dar continuidade à investigação.
“Quando iniciam um trabalho, ainda que os investigadores possam ter uma ideia acerca do que irão fazer, nenhum plano detalhado é delineado antes da recolha de dados” (Bogdan, 1994:83).
O planeamento da investigação não pode ser concebido com grande rigidez, o caminho faz-se caminhando, este plano vai-se reestruturando à medida que prossegue a investigação. Importa sublinhar que o investigador parte para o campo da investigação munido dos seus conhecimentos, das suas experiências, com hipóteses formuladas e com um grande objectivo de verificar essas hipóteses ou proceder a alteração e reformulação das mesmas, à medida que a investigação avança.
O modelo de investigação quantitativo “é o paradigma dominante em educação” tendo por base o método científico. Reconhecem-se-lhe no entanto algumas limitações nomeadamente a dificuldade de manipular ou controlar aspectos de natureza ética e variáveis independentes (Moreira, C. 2007).
O modelo de investigação qualitativa constitui uma resposta às limitações da avaliação quantitativa. Interessa-se pelos processos cognitivos e metacognitivos dos seres humanos. Inspira-se em métodos utilizados na investigação antropológica e etnográfica.
Utiliza entrevistas detalhadas e observações minuciosas que fornecem “ informação acerca do ensino e da aprendizagem que de outra forma não se poderia obter”. As suas limitações relacionam-se com a objectividade ou falta dela, por parte dos investigadores e o tempo requerido para a investigação. (Fernandes, D. 1991, p.65). É por isso que os métodos qualitativos e os quantitativos se combinam muitas vezes numa mesma investigação.
O guião apresentado, como já foi referido, pode ser condutor de um processo de investigação de paradigma quantitativo, qualitativo ou misto. Em educação e para qualquer problemática a tratar, os vários paradigmas encontram aceitação. Assim sendo, parte-se do princípio que as diferenças no faseamento não são significativas.

4.Referências Bibliográficas
Bogdan R. & Biklen, S. (1994): Investigação Qualitativa em Educação. Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.
Caraca, M. e al. Características da personalidade em artistas plásticos e investigadores científicos. Aná. Psicológica, 2000, vol.18, no.1, p.53-58. ISSN 0870-8231.
Dias, M. (1999). Métodos e Técnicas de Estudo e Elaboração de Trabalhos Científicos. Coimbra: Minerva
europa.eu/eracareers/pdf/eur_21620_en-pt.pdf. Carta europeia da Investigação. (acedido em 21 de Março)
Moreira, C. (2007). Teorias e Práticas de Investigação. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais e Políticas.
Johnson, B. e Christensen, L. (s.d.) Educational Research Quantitative, Qualitative, and Mixed Aproches.
VALLES.M. (2000): Técnicas cualitativas de investigación social. Reflexión metodológica e práctica professional (2ª ed.). Madrid: Síntesis/Sociologia.
http://www.southalabama.edu/coe/bset/johnson/dr_johnson/2lectures.htm. Acedido em Março de 2010.
http://www.socialresearchmethods.net/kb/contents.php. Acedido em Março de 2010.
http://www.fisterra.com/mbe/investiga/cuanti_cuali/cuanti_cuali.asp. Acedido em Março de 2010.
http://fds.oup.com/www.oup.co.uk/pdf/0-19-874204-5chap15.pdf. Acedido em Março de 2010.

Reflexão Temática 1


A 1ª temática desta unidade foi a problemática do processo de Investigação.


Não sendo, nem nunca tendo sido investigadora, foi com especial agrado que me vi embrenhada na leitura de livros e de sites que versam sobre este tema.


Apesar de ter uma vaga reminiscência, dos tempos de liceu, da questão do positivismo de Comte e do idealismo de Kant, com as suas consequências em termos de postura de investigação, estava longe da grande problemática que existe à volta deste tema.


É como se tratasse de equipas adversárias. Por um lado os defensores da investigação quantitiva e, por outro lado, os adeptos da investigação qualitativa. E aqui reside a grande diferença. Incluí alguns vídeos neste blogue que ilustram esta "guerra titânica".


Desconhecia de todo a existência de uma outra postura (que em abono da verdade não se pode considerar como um verdadeiro paradigma, como a professora Alda Pereira me observou) que genericamente se designa de investigação mista. Claro está que se propõe usar metodologias dos dois paradigmas identificados.


Aprendi pois, não só através das minhas leituras como também através da troca de ideias dentro do meu grupo de trabalho, como também no fórum de discussão do grande grupo. Participei o que me foi possível, li o que consegui. Malgré tout, fica sempre a sensação de que poderia ter feito mais. Foi, no entanto, recompensador!




Fundamentos dos Paradigmas em Investigação Científica




O positivismo de Augusto Comte é a base do paradigma quantitativo. Parte-se do princípio que existe uma realidade objectiva que o investigador deve interpretar objectivamente. Cada fenómeno deverá ter uma, e só uma, interpretação objectiva (científica).
















O idealismo de Kant modela o paradigma qualitativo. Neste caso não se prevê a existência de uma só interpretação (objectiva) da realidade. Admite-se que haja tantas interpretações da realidade quantos os indivíduos (investigadores) que a procuram interpretar.

Paradigmas da Investigação


Paradigmas de investigação são sistemas de pressupostos e valores que guiam o processo de investigação e determinam as opções que o investigador terá de fazer ao longo do percurso da investigação e que, eventualmente que o levará a obter respostas para o problema que decidiu investigar.

sábado, 12 de junho de 2010

Ética na Investigação


Ética...
Uma palavra que tem de fazer sentido!
Os Princípios da Ética da Investigação Científica:
1. Competência profissional
Manter o mais elevado nível de competência profissional no seu trabalho
Reconhecer as limitações da sua especialização
Só aceitar as tarefas para as quais estiver preparado
Reconhecer necessidade de formação contínua para se manter actualizado
2. Integridade
Relacionamento honesto, correcto e respeitador dos outros profissionais
Não fazer declarações / afirmações falsas ou enganadoras
3. Responsabilidade profissional e científica
Manter o mais elevado padrão ético na sua conduta profissional para não prejudicar a imagem e reputação da comunidade profissional e científica de que faz parte
4. Respeito pelos direitos, dignidade e diversidade das pessoas
Evitar qualquer forma de discriminação com base na idade, género, raça, nacionalidade, religião, orientação sexual, deficiência, condições de saúde, estado civil, relações familiares
Reconhecer nos outros o direito de ter valores, atitudes e opiniões diferentes da sua
5. Responsabilidade social
Obrigações para com a comunidade em que o investigador vive e trabalha, pelo que deve tornar público os resultados da sua investigação
Contribuir para o avanço da ciência e para o bem público com a sua investigação
____________
Bibliografia:Caderno TICG, vol. 2 – Anexo 2 http://ticg0809.files.wordpress.com/2008/09/ticg0809_cap2.pdf (consultado a 15 de Maio de 2010)